Livro de ex-alunos do Labjor discute a importância da ocupação dos espaços públicos

Reprodução da capa da obra

Site da Unicamp 03/03/2016 – 15:57
Os olhares de quatro jornalistas e um biólogo sobre a cidade, relatados no Blog Vi(ver) n_a cidade, são apresentados, agora, no livro homônimo (impresso e e-book) que acaba de ser lançado pela editora Perse.

O blog, cujas postagens integraram a publicação, é resultado do trabalho final da disciplina Multimeios do curso de pós-graduação lato sensu em jornalismo científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (LabJor) da Unicamp. A disciplina Multimeios foi ministrada no primeiro semestre de 2014 pelos professores Susana Dias e Paulo César Telles.

Descobrindo novas formas de divulgar ciência e arte, os autores Fernanda Domiciano, Janaína Quitério, Juliana Passos, Kátia Kishi e Valdir Lamim-Guedes lançaram postagens diárias sobre pichação, grafite, teatro de rua, música e intervenções em grandes eventos, como o carnaval e a copa do mundo. Usando fotos, vídeos e textos, o objetivo, segundo os autores, foi discutir a importância da ocupação dos espaços públicos e suas implicações na sociedade atual.

O linguista Alexandre Marcelo Bueno, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), escreve na apresentação da obra que as ruas brasileiras, “amplamente reconhecidas como um mero espaço de passagem, refletem, de alguma forma, a pobreza com o qual vivenciamos o espaço público, em oposição direta ao que observamos e experimentamos em outros países.” De acordo com ele, o livro faz parte de um “movimento de resistência a um modelo privado do espaço público”. Vi(ver) n_a cidade pode ser baixado gratuitamente através do link e para adquirir um exemplar impresso acesse aqui.

Anúncios

Livro (Vi)ver n_a Cidade: Ocupações de Espaços Urbanos

Capa

Foi publicado a copilação de posts do blog (Vi)ver n_a Cidade nos formatos pdf e impresso.

SILVA, F. D. ; QUITÉRIO, J. ; ALVES, J. P. ; KISHI, K. H. S. ; LAMIM-GUEDES, V. . (Vi)ver n_a Cidade: Ocupações de Espaços Urbanos. 1. ed. São Paulo: PerSe, 2016. v. 1. 162p .

Sinopse

Ocupar a cidade com intervenções tem sido o trabalho rotineiro de muitos artistas e anônimos. No fundo, o que eles e nós queremos é viver os espaços públicos, tomar o que é nosso, ocupar as ruas, transformar os muros, germinar bueiros, compartilhar o trânsito e (por que não?) fomentar todas essas ocupações pela e na internet – labirinto de ruas virtuais -, materializado na criação deste blog, que pretende mostrar perspectivas da arte, intervenções, comunicação e até mesmo dos grandes eventos, como Carnaval e Copa do Mundo, que também são formas de ocupação, de movimentos, de vibrações, de vida. Por meio do uso de fotos, vídeos e textos, pretendemos discutir a importância da ocupação dos espaços públicos, de que forma ela tem ocorrido, suas implicações na sociedade atual, as dificuldades encontradas pelas pessoas e artistas para essa ocupação e como os movimentos sociais têm se organizado para realizá-las e incentivá-las.

Para fazer o download do pdf gratuitamente acesse o link e para adquirir um exemplar impresso acesse aqui.

Mudar a UFRJ, não a nossa cor!

Por Fernanda Domiciano

Vamos falar de dados conhecidos, mas que são sempre bons de serem lembrados e reforçados: Mais da metade da população brasileira se autodeclara negra, preta e parda, segundo o IBGE. Somos os segundo país com maior população negra do Mundo. Mesmo assim, apenas 26 em cada 100 alunos das Universidades do País são negros e a cada 100 formados, menos de três são pretos, pardos ou negros. Para cada R$ 100 reais ganhos por um branco, um homem negro, com a mesma formação e função, recebe R$ 57,40 e a mulher negra, R$ 38,50. O levantamento é do portal informativo  Rede Angola.

Sabendo de tudo isso, alunos do IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais), da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), organizaram uma calourada, em 28 de março, para ocupar a Universidade com músicas, danças e manifestações culturais – elementos de resistência da população nega. A festa aconteceu em uma praça, rodeada pelo Teatro João Caetano, o Gabinete Real Português de Leitura, o Centro Cultural Carioca e o IFCS.

Para fortalecer a cultura  e garantir o protagonismo de grupos negros, foram realizadas oficina, pelo grupo Afrolaje e rodas com dança popular afro, pelo movimento Jongo na Telha. As rodas, com jongo, funk, rap e capoeira, foram conduzidas por Darlene Santos, maranhense e cientista social formada pelo IFCS, que botou todo mundo pra requebrar… e tinha que rebolar meeeesmo!!

O mais legal desse evento do IFCS é que o negro e a cultura afro foram colocados como protagonista e festa serviu para discutir a importância de politicas que façam o negro ingressar e permanecer não só na UFRJ, mas em todas as Universidades brasileiras. A calourada, como toda ocupação de espaços públicos, foi uma ótima oportunidade de encontro entre as pessoas, para a troca de ideia e criação coletiva.

IMG-20150328-WA0005
Ao fundo, o Gabinete Real Português de Leitura

IMG-20150328-WA0008
Quando a roda “oficial” acabou, um participante do evento começou a dançar rap e foi seguido pelo restante da Calourada

Fotos: Felipe Fragoso Fernandes

Intervenções urbanas como ferramentas de educação ambiental

Trecho do artigo”Intervenções urbanas como ferramentas de educação ambiental.

As intervenções urbanas são formas alternativas de ocupação dos espaços urbanos, porque ocupar uma cidade está além de morar nela, mas viver a vida em sociedade dentro desta “grande obra de arte dinâmica que é a cidade” e o desafio é recriarmos este espaço criado por nós (Ferraz, Abreu e Scarpelini, 2009). Segundo o geografo britânico David Harvey (2013): “A liberdade da cidade é, portanto, muito mais que um direito ao acesso àquilo que já existe: é o direito de mudar a cidade mais de acordo com o desejo de nossos corações” (p. 28). Neste sentido, a compreensão de que algumas intervenções públicas são resultantes de movimentos sociais, mesmo que por meio de ações individuais – como uma pichação, cartaz ou grafite -, segundo Harvey, deve-se ao fato de que “o direito à cidade não pode ser concebido simplesmente como um direito individual” (p. 32).

Continuar lendo Intervenções urbanas como ferramentas de educação ambiental